Novos Escudeiros no Priorado Ibérico

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anjou

Os tempos do rápido consumo das coisas mundanas levou ao rápido consumo das coisas que valem mais que o mundo. Num ápice, passamos por elas sem as experimentar verdadeiramente e sem nos determos o tempo suficiente para nos deixar seduzir nem pelo seu encanto, nem pela voz que evidenciam e não ouvimos. A vontade de ter e de chegar cobre e oculta os aromas suaves que só se experimentam no passar largo.

Muitos ramos das Ordens que derivam do reavivar dos valores Templários nos séculos XVIII e XIX desconhecem os graus de Noviço e Escudeiro. Entra-se na Ordem por cima. Da rua a Cavaleiro em poucos minutos. Passe de ilusionismo, capa na mão. Flup! Já está! Muitas vezes até ouvimos “Sr. Fulano é uma pessoa extraordinária e já era Templário ante de o ser”. Mas como é que se pode ser antes de ser? Estaremos a cumprir o nosso desígnio ao passar a Cavalaria com a facilidade de quem passa uma constipação?  É que muitas vezes a vontade de “ser Templário” assemelha-se a uma febre  rápida, mas passageira, que se apanha com os amigos. Um espirro aqui e ali: “Sim, juro! Sim, prometo!”, mas depois de passar só ficam para trás os lenços de assoar. Entrou e saiu com a velocidade de um tiro. Ala que se faz tarde. Templários quê? Já tenho… Já sou! Já fui…

Por isso, é de destacar a tenacidade daqueles que procuraram com igual curiosidade e desejo, mas em vez de se deixarem seduzir pela Via Rápida, se mantiveram atentos à Via Dolorosa, mais lenta mas, por ventura, mais segura. Hoje, pedir a alguém uma cifra elevada em Euros para o fazer rapidamente “templário” é mais fácil do que pedir a alguém mais de um ano de estudo e formação para (talvez…) chegar a ser Cavaleiro. Ninguém quer esperar meses para eventualmente ter o que, tudo indica, ser a mesma coisa, mas muito mais depressa. Ninguém quer perder tempo a estudar o que já leu nos livros que tem sobre a Ordem. A Via Rápida é ampla e sem obstáculos, com arrojados viadutos sobre o vale (nem é preciso lá descer), três faixas de rodagem e Via Verde. Já a Via Dolorosa, é longa e não se sabe mais nada. Só se sabe que demora muito tempo. Poucos vêem a necessidade de começar como Noviço. “Noviço, eu? Já ando a estudar isto há tanto tempo! Então agora é que vou ser Noviço?”. Poucos vêem no Escudeiro uma progressão. A poucos interessa a Via Dolorosa porque o que procuram não é ser, mas parecer (assumir a similitude, esperando que assim se dê a ilusão, literalmente que “o hábito faça o monge”). O que é instantâneo na Via Rápida é incerto e longínquo na Via Dolorosa. Ou, sendo porventura caridoso, tudo é longínquo e incerto na Via Delarosa ou Via De la Rosa.

A Ordem dá por isso os parabéns aos novos Escudeiros e Escudeiras, reconhecendo neles e nelas a dedicação e o desejo de progredir um pouco mais no seu trabalho de instrução e despertar espiritual. Não será demais dizê-lo: pelo serviço, a recompensa é certa.

Luis de Matos

Prior Geral

Chanceler Internacional

OSMTHU