Teasers para o Cursos Livre – Templários e Templarismo na Universidade Lusófona

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Neo_templarUniversidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Parte 2 – A Nova Cavalaria – Dos Templários aos Neo-Templários – Fundamentos Iniciáticos A Pirâmide Social e as Vias Iniciáticas

– Sobrevivências históricas (1317-1319) Montesa, Calatrava e Alcântara, São João, Teutónica; Míticas: as lendas, Escócia, Arménia; o caso Português, Ordem de Cristo, papel da Ordem de Avis, o século XIV do Templo.

– Século XVIII Surgimento da Maçonaria Especulativa, breve história e contextualização, papel da Nobreza, tutela Cavaleiresca; Estrita Observância Templária; Ordem da Águia Negra e Ordem de São Lázaro; Rectificação da Maçonaria (Wilhelmsbad, 1778); criação da Lenda Templária, Discurso de Ramsey, Escocismo, templarismo maçónico e sua origem, consolidação da lenda no século XIX e XX.

– Século XIX Fabré Palaprat e a OSMTJ; a Ordo Templis Orientis e o seu contexto esotérico

– Século XX Efeito das duas Grandes Guerras nos movimentos esotéricos: Maçonaria, Martinismo, Templários; Pós-Guerra e noções de uma Era de Aquário; Neo-Templarismo e seus ramos: da Ordre Renové du Temple ao Templo Solar; Outras linhas neo-Templárias: corrente teosófica, rosicruciana e martinista.

– Século XXI Retrato do panorama actual.


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Suicídio colectivo ou assassinato? Ecos do Templo Solar

Os noticiários abriram em choque naquele dia de Outubro de 1994. Meia centena de membros de um grupo neo-Templário foi encontrado morto em múltiplos locais na Suíça e no Canadá num aparente pacto de suicídio colectivo. Ainda decorriam investigações quando novo massacre levou a vida a mais 16 pessoas, três das quais crianças, em Dezembro de 1995, desta vez em França. A década não terminaria sem que novo grupo protagonizasse idêntico pacto no Canadá.

Passadas duas décadas ainda se colocam muitas perguntas sobre as tragédias. O que motivou o pacto? Qual era o conteúdo doutrinal da OTS? Tratava-se de uma seita ou de uma nova expressão de religiosidade? Qual a sua origem e influências. Qual a sua herança nos dias de hoje? A Ordem do Templo Solar entrou já no folclore esotérico-ocultista, com expressões como “trânsito para Sirius” ou “suicídio colectivo” indelevelmente associadas ao fatídico grupo, que tomou os Templários como modelo. Uma tragédia esquecida que vale a pena conhecer. Suicídio colectivo ou assassinato? Venha conhecer a resposta.


troca2Em 1319 D. Dinis consegue concluir favoravelmente as negociações com o Papa João XXII em Sé de Avignon, para a “criação” da nova Milícia de Cristo. Os bens e homens da suspensa Ordem do Templo não passam directamente para a Ordem de Cristo.

Apesar da astúcia do monarca, a evidente desconfiança do pontífice aconselhava a algumas cedências. Efectivamente a sede da nova Ordem foi o castelo de Castro Marim, no Algarve, longe da Tomar Templária. Do mesmo modo a nova cruz, por imposição papal, levará uma cruz latina branca sobreposta, em sinal da bênção apostólica. De modo a “renovar” a direcção da Ordem, D. Dinis procede a uma inteligente manobra de trocas, usando a Ordem de Avis, pelo que o novo Mestre da Milícia de Cristo será o antigo Mestre Martins da Ordem de Avis, entrando em Avis Mestre Martins, antigo chefe do Templo em Portugal, bem como a vasta maioria dos líderes militares Templários do reino.

Terá influência na história a conversão de Avis no reduto último do Templo em Portugal? Qual será a dinâmica entre a recentemente criada Ordem de Cristo com os bens Templários, a Ordem de Avis com a antiga liderança Templária e a Coroa ao longo do século XIV? Estando as pedras no tabuleiro da história desfavoráveis ao Templo e a Avis no início do século, como irão ambas as Ordens terminar um dos séculos mais emblemáticos da história de Portugal?


02 - LUIS DAVID - Coroação de Napoleão

Napoleão Bonaparte e o Templarismo

“Da turbulência criada pela Revolução Francesa, um “filho da Revolução”, Napoleão Bonaparte, subiu ao poder, prometendo difundir os ideais da Revolução para toda a Europa. Depois de conquistar a maioria da Europa continental, fez-se proclamar Imperador. Nesse mesmo ano de 1804, uma nova forma de Templarismo apareceu. A “restaurada” Ordre du Temple [de Fabré Palaprat].

Por motivos só seus, Napoleão Bonaparte aprovou esta “restauração”, tendo mesmo autorizando uma grande cerimónia em Paris, em honra de Molay e todos os outros mártires Templários. Napoleão, ao se tornar imperador, criou uma nova nobreza. Talvez tenha visto esses novos templários como servindo de contrapeso às lojas maçónicas, de quem desconfiava, devido ao seu radicalismo político. Em 1808, através do recrutamento agressivo, a nova Ordem tinha estabelecido Priorados e Comendadorias na maior parte do Grande Império, incluindo Itália e Suíça. Laços com suas origens maçónicas foram cortados, proclamando esta Ordem do Templo a sua autonomia e adesão à religião Católica Apostólica Romana.” [in: comentário num fórum sobre neo-Templarismo]

Quem foi Fabré-Palaprat? Qual o seu papel nos “ressurgimentos” da Ordem do Templo? Onde fundava Palaprat o seu legado? Documentos? Histórias? Mitos?


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“Os Templários são os mais excelentes soldados. Vestem um manto branco com uma cruz vermelha e quando vão para a guerra levam à sua frente um estandarte de duas cores chamados balzaus. Cavalgam em silêncio. O primeiro ataque é o mais terrível. Na contenda são os primeiros a entrar. Na retirada – os últimos. Aguardam as ordens do seu Mestre. Quando prontos para a batalha e a trombeta soou, cantam em coro o Salmo de David: “Não a nós, Senhor” ajoelhados no sangue e no pescoço do inimigo, a menos que tenham forçado as suas tropas à retirada completa, ou as tenham totalmente quebrado em pedaços. Caso algum deles, por qualquer motivo, virar as costas para o inimigo, ou sair vivo [de uma derrota], ou pegar em armas contra os cristãos, ele é severamente punido; o manto branco com a cruz vermelha, que é o sinal de sua cavalaria, é retirado com desonra. Será expulso da sociedade dos irmãos, e come sua comida no chão, sem guardanapo, pelo período de um ano. Se os cães o molestam, ele não se atreve a afastá-los. Mas no final do ano, se o Mestre e os irmãos pensam que a sua penitência foi suficiente, devolvem-lhe o cinto de cavaleiro”. [Relato de peregrino a Jerusalém, citado em “The New Knighthood”, por Malcolm Barber


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“A decisão de restabelecer os Cavaleiros Templários e, portanto de fundar a Ordem Renovada do Templo, foi tomada por mestres ocultos da tradição, a 5 de Fevereiro de 1962. A primeira etapa de uma longa preparação deu-se em 1968, com o encontro de Raymond Bernard e de um misterioso Jean, descendente dos reis de França, com o “Cardeal Branco”, um dignitário secreto do Templo. Foi ele que transmitiu na Cripta Ferrata, uma cripta secreta da Abadia de San Nilo, num bairro de Roma, a ordenação e a missão de despertar a Ordem, ordenação por sua vez confirmada em Chartres. Esta é a história alegórica de Raymond Bernard, que muitos infelizmente têm tomado de modo literal.

Quando publicou sua “aventura” em 1968, Raymond Bernard transmitiu a ordenação “templária” que teria recebido perto de Roma, a dois dos seus mais próximos, Raymond Devaux e Julien Origas, na cripta da Catedral de Chartres. Dois anos depois fundou a Ordem Renovada do Templo de que será até 1972 o Grão-mestre secreto. A Ordem desenvolve-se primeiro no seio da AMORC [organização de tradição Rosacruz], permitindo-lhe contar em alguns meses com quase mil e quinhentos membros.” [Sérge Caillet, autor de “L’Ordre Rénové du Temple”] Quem foi Raymond Bernard? Quais as fontes documentais que substanciam os seus relatos? Que encontro secreto se deu em Roma e quem era o Cardeal Branco? Que relação há entre os encontros de 1968-70 e o Priorado de Sião, trazido à luz já nos anos 80? Estamos no domínio da História, ou do Mito Urbano?


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“Subsolo.

A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo — a mais sublime de todas do mundo.

Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Nãos se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também.» E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras.

Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros—chamemos-lhes sempre assim — não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros são ligados uns aos outros pelo simples laço de serem tais, e assim são irmãos, não sócios nem associados. São irmãos, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo não há juramento nem obrigação.

Ela, sendo assim tão semelhante à Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, «o que está em baixo é como o que está em cima», não é contudo aquela Fraternidade: é ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade não é uma ordem.”

s.d.

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética – Fragmentos do espólio . Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. – 47.

A que Ordem se referia Fernando Pessoa? Qual a sua relação com aquela a que chama a “Ordem Templária de Portugal”? Que outras referências há na sua obra a um Templarismo subjacente à história mítica de Portugal?


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“A tomada de Jerusalém foi extremamente sangrenta. A quase totalidade dos habitantes – muçulmanos, judeus e, até, cristãos orientais – foi massacrada. Segundo a Gesta Francorum, um livro de autor anónimo que se crê ter sido escrito por um cruzado, diz que “a carnificina foi tão grande que os nossos homens caminhavam em sangue até aos tornozelos”.

Tomada a cidade, o poder foi entregue a Godofredo de Bolhão. Depois de re cusar o título de rei, dizendo que jamais usaria uma coroa de ouro na cidade onde Nosso Senhor usara uma coroa de espinhos, viria a aceitar apenas o título de Protector do Santo Sepulcro. Infelizmente, porém, o “reinado” de Godofredo durou pouco. Uma estranha doença, que muitos consideraram consequência de um envenenamento, matá-lo-ia em 1100. Desta forma, foi o seu irmão Balduíno a assumir o poder. Sem os pruridos de Godofredo, aceitou a coroa e o trono de Jerusalém como Balduíno I.

Após a morte sem deixar descendência de Balduíno I, o reino de Jerusalém atravessou uma fase complicada. A primeira ideia foi entregar a coroa a Eustáquio, irmão mais velho de Godofredo e de Balduíno. As movimentações de Joscelin de Courtenay, porém, levaram a um volte-face. No trono acabaria Balduíno de Bourcq, primo dos dois irmãos, que reinaria como Balduíno II.

Seria este monarca a receber, logo no seu primeiro ano no trono, a visita de Hugo de Payens que, com outros oito cavaleiros do condado de Champagne, se foi oferecer para garantir a segurança nas estradas para a Terra Santa dos peregrinos cristãos que, provenientes da Europa, pretendiam chegar a Jerusalém. Os ataques dos salteadores (não apenas muçulmanos mas, em muitos casos, também cristãos) faziam inúmeras vítimas e, apesar de múltiplas tentativas, nunca os cruzados tinham conseguido garantir a segurança da costa até à cidade santa.

Balduíno aceitou a proposta e entregou aos nove cavaleiros instalações no Monte do Templo, no local onde, diz a tradição, estariam instaladas as cavalariças do rei Salomão. A localização das suas instalações originais viria a justificar parte do nome da ordem.”, in Revista Focus [José Colaço]


Castelo Soure

“Segundo o frei Bernardo da Costa, na sua História da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo publicada em 1771, foi na Fonte Arcada que os templários instalaram a sua primeira sede em território português. Tal facto leva a colocar em dúvida a possibilidade de, nessa primeira fase, o seu principal papel ser militar – já que Penafiel ficava bastante longe da frente de combate contra os mouros.

Dois anos volvidos, a sede dos templários muda de local e, agora sim, parece ter já um papel militar. As instalações ficam, agora, no castelo de Soure, também doado por D. Teresa. Situado na confluência de três rios (Arunca, Anços e Arão, todos afluentes do Mondego), Soure funciona como guarda avançada à cidade de Coimbra. Por curiosidade, será às portas deste castelo que, em 1144, os templários sofrem uma das suas mais pesadas derrotas em Portugal, perante as tropas de Abu Zakaria, vizir de Santarém.

A lista, a partir daqui, engrossa rapidamente – muito em especial após a independência e a subida ao trono da dinastia de Borgonha. Esta simpatia dos descendentes do Conde D. Henrique pela Ordem do Templo poderá estar relacionada com a proximidade entre a nobreza da Borgonha e a de Champagne – de onde vieram os templários originais – ou com o facto de o grande ideólogo do templarismo, Bernardo de Claraval, ser ele próprio um borgonhês de nobres famílias.” in Revista Focus [José Colaço]


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“No dia 22 de março de 1312, o papa Clemente V dissolveu a Ordem dos Templários, alegando degeneração e heresia. A ordem havia sido criada em Jerusalém, em 1118, para proteger os peregrinos, mas acabou virando uma das mais poderosas e misteriosas organizações da Idade Média.

Tesouros afundados, atos heróicos, ritos religiosos secretos e uma forte crença comum: este o material de que são feitos os mitos. A Ordem dos Cavaleiros do Templo era uma das mais poderosas e enigmáticassociedades secretas da Idade Média.

Fundado em torno de 1119, em Jerusalém, por cruzados franceses, o grupo nasceu para proteger peregrinos cristãos que empreendiam a longa e perigosa jornada até a Terra Santa. Séculos mais tarde, o tema dos templários foi enfocado por Umberto Eco em seu livro O Pêndulo de Foucault.

Com rituais de iniciação, voto de pobreza e uma dedicação espartana, os templários se tornaram monges-guerreiros, detentores de profundo conhecimento esotérico e donos de enorme fortuna.”, in Folha de São Paulo, 2007

Que incorrecções estão expressas neste artigo? Qual foi então a história da fundação, ascensão e queda dos Templários? Como foi a sua tragédia tomada como um exemplo que inspirou inúmeros pelos séculos dos séculos?


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“Por meio de longas e inomináveis sessões de torturas, foram arrancadas dos prisioneiros confissões detalhadas, confirmando quase a totalidade das acusações. O rolo de pergaminho contendo a transcrição dos interrogatórios de 1307 chega a vinte e dois metros e vinte centímetros. Confessaram práticas bizarras. Certamente, aquilo que constava nos altos de acusação. Admitiram que, durante os ritos de iniciação, renegavam Cristo três vezes e cuspiam no crucifixo. “Os noviços “eramdesnudados e beijados in posterior parte” spine dorsi”; ou nas nádegas, e no umbigo e nos lábios. Terminada a cerimónia começavam uma orgia. Qual a sustentação real das acusações? Em grande parte surgiram de preconceitos, catalogados por Guilherme de Nogaret.

O mistério com que os Templários protegiam seus castelos alimentava a desconfiança popular há tempos. Circulava a suspeita de que, devido a aparente riqueza da Ordem, produziam ouro por meio da alquimia.

Num primeiro momento, o papa hesitou em cumprir o pedido de Filipe, o Belo, que desejava a imediata extinção do Templo. Mas suas relações com os Templários estavam abaladas. Recentemente, havia entrado em conflito com o mestre Jacques De Molay. Clemente V, preocupado com a inatividade dos freires franceses, pretendia chegaram a organizar uma cruzada, que seria conduzida por Carlos de Valois, irmão de Filipe, o Belo, e que reuniria Templários e Hospitalários na mesma campanha. Aparentemente, seu verdadeiro objetivo era fundir as duas confrarias (Almeida, 1910: 333). O mestre De Molay, desconfiando das intenções do pontífice, recusou-se a dar prosseguimento ao plano.” in Os Templários no Seu Auge, por Carlos Navarro


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“Não é de estranhar que D. Gualdim Pais tenha feito edificar monumentos que apontassem claramente um referente mítico, imitando a imagem do Santo Sepulcro de Jerusalém ou da Cúpula do Rochedo, ambos templos de planta centrada. Convém esclarecer que, uma “cópia” ou “imitação” arquitectónica funcionava sempre de um modo muito vago no quadro da representação medieval, chegando a encontrar construções bastantes diferentes, mas com significados similares, e outros praticamente idênticos, contudo, com funções distintas. A dita “cópia”, observa Paulo Pereira, não passava, portanto, de um jogo onde se procurava aproximar uma ou mais características fundamentais do edifício-modelo e em Tomar encontramo-lo certamente na sua planta centralizada. Deste modo, transpunham-se as barreiras geográficas, económicas e culturais com a construção de um templo que evocasse outro, mesmo com uma distância considerável a separá-los. Ao construir a Charola, os Templários tinham como objectivo simbólico a realização da chamada “viagem ao centro” ou “orientação espiritual”, conseguindo assim atingir “uma vitória sobre o espaço e sobre o tempo, visto que o seu objectivo se identifica ritualmente com o Objectivo supremo, com o centro supremo, (…) com a Jerusalém celeste e a Igreja”.

Desta forma, pode-se aludir que a charola templária tenta representar os dois principais edifícios de Jerusalém medieval: o Templo de Salomão, que não é mais do que o reflexo da Cúpula do Rochedo e o Santo Sepulcro.” in Carlos Emanuel Sousa Santos, “Charola Templária de Tomar: Jerusalém Perdida”