Visita ao Convento dos Capuchos – Instrução de Escudeiros

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Realizou-se no dia 13 de Julho uma visita ao Convento dos Capuchos de Sintra, organizada pela Comendadoria de Sintra do Priorado Ibérico da Osmthu, com o intuito de proceder à Instrução de Escudeiros.

Esta segunda visita de Instrução versou o tema da via monástica, depois de se ter estudado o tema da via cavaleiresca através das lendas da Demanda do Santo Graal, há poucas semanas em visita ao Palácio da Pena e seus jardins. Completa-se assim a abordagem aos dois pilares fundamentais da Cavalaria Templária, ao mesmo tempo militar e monástica, numa contradição aparente apenas resolvida pela prática estrita da Regra.

O grupo, composto de Cavaleiros, Damas, Escudeiros e Escudeiras bem como de alguns familiares, foi convidado a explorar o Convento dos Capuchos de forma autónoma, sem mais explicações para além das fornecidas pelos elementos escritos dados a qualquer turista pelos Parques de Sintra ao adquirir uma entrada. Contudo foi-lhes dito que observassem com atenção cada detalhes e que questionassem tudo o que vissem, abrindo o coração às impressões intuitivas de modo a poder trazer dados relevantes quando todos se juntassem no pátio de entrada pouco depois.

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E assim partiu cada um por si, em demanda. A maioria não conhecia o Convento ou a sua história. O Convento dos Capuchos em Sintra fazia parte da Província da Arrábida dos Capuchinhos Franciscanos, mas era um lugar especialmente humilde e inóspito, mesmo para os padrões franciscanos. Estende-se ao longo de uma colina da Serra de Sintra, pejada de largos rochedos, que as construções contornam e assimilam como parte integrante do seu corpo. A penha imensa que constitui o tecto da capela, ao mesmo tempo que é o soalho de suporte das celas e parede do refeitório, antes de mergulhar misteriosamente no chão telúrico do lugar, impressiona e está de tal modo organicamente integrada na construção que, aos poucos, se vai tornando quase invisível ao olhar do visitante. A pobreza é absoluta e não existem decorações sumptuosas ou obras de arte de relevo. Mais depressa faz lembrar uma casa de aldeia antiga ou um mosteiro nos confins do Tibete do que uma casa de religiosos cristãos, não fosse pela altura insignificante das portas das celas, a exigir uma vénia para se transporem e pelo seu tamanho exíguo e impraticável como lugar de descanso.

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Cada um destes pormenores não deixou de chamar a atenção aos Escudeiros, que os reportaram, um após o outro quando se reuniram no átrio de novo, após a primeira volta de reconhecimento. Numa segunda volta foram então abordados vários aspectos relacionados com a via monástica e conventual, procurando sempre entender de que modo se enquadravam no caso particular dos Templários, na sua época. Mergulhando num meio somente conventual, pode o grupo perceber essa vertente sem mais distracções e, depois, recordando a experiência da instrução anterior, compreender como um Cavaleiro pode ser humilde, mesmo numa cela com varanda e vista sobre o mar e senhor numa cela exígua e humilde com a dos Capuchos, numa feliz expressão de um dos Escudeiros. A história do lugar foi  depois contada, sem esquecer as suas associações a várias figuras ilustres (e notáveis de todos os pontos de vista), que incluem D. João de Castro, Vice-rei da Índia e Cavaleiro da Ordem de Cristo; D. Sebastião e o Cardeal (depois Rei) D. Henrique, bem como o incontornável Frei Honório.

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O dia terminou com uma reflexão conjunta e um período de perguntas e respostas no claustro conventual. Tinham passado quatro horas desde a entrada, voando que nem uma ave. Não se deu pelo tempo passar. Foi então que um dos Escudeiros do Alentejo mostrou que se tinha preparado para a viagem, tão longe da sua terra, exibindo pão e um belo salpicão que fizeram as delícias de todos, numa improvisada refeição fraternal de encerramento, de regresso ao pátio dos Capuchos de Sintra.

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Fotos:

Com logo “Templar Globe”, por: Susana Ferreira

Outras: Internet e Parques de Sintra