Visita ao Parque da Pena – Instrução de Escudeiros

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Realizou-se no dia 22 de Junho uma visita ao Palácio e Parque Florestal da Pena em Sintra, organizada pela Comendadoria de Sintra do Priorado Ibérico da Osmthu, com o intuito de proceder à Instrução de Noviços.

O tema do dia foi a Demanda do Santo Graal. O local não podia ser o mais apropriado. De facto, sobre o Palácio da Pena disse Richard Strauss no dia em que o conheceu: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor e lá no alto, está o Castelo do Santo Graal”.

A chuva ameaçou o dia, mas o sol abriu as nuvens sobre a hora de início da visita. Durante cerca de duas horas o numeroso grupo recordou a lenda de Parzival na versão de Wolfran von Eschenbach. Foram destacados os elementos simbólicos centrais à Demanda e, de ponto de observação privilegiado, não houve nenhuma dificuldade para os Escudeiros identificarem na paisagem circundante os locais onde D. Fernando II, monarca criador da fantasia romântica que é a Pena e os seus jardins, colocou em destaque alguns deles. As obras de restauro a que o edifício está a ser sujeito impediram que alguns elementos arquitectónicos fossem analisados, mas a visita à Capela de Nossa Senhora da Pena e o estudo, particularmente, dos seus vitrais e altar, teve as suas recompensas.

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Visto o Palácio em si, por dentro e por fora, foi então ocasião de iniciar a exploração dos jardins. O grupo foi em caminhada conduzido ao ponto mais alto da Serra de Sintra, a Cruz Alta a 529m, de altura, com uma vista magnífica sobre o Palácio e sobre o estuário do rio Tejo e o mar à direita, abertura atlântica de onde partiram e onde chegaram as Caravelas de Vasco da Gama.

Regressados à Erma Floresta, Caveliros, Damas e Escudeiros (e convidados) reuniram-se ao redor da Távola Redonda e recordaram a lenda que conta como Parsifal conheceu a Cavalaria e de como ficou espantado com ela. Ao ver os escudos, armaduras reluzentes, lanças, espadas e capas ao vento só se lembrou de perguntar ao Cavaleiro que lhe apareceu na floresta: “Sois Deus?” e quando este disse que não “Sois um anjo”?

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O tempo se fez curto para tanta matéria e os Escudeiros foram conduzidos numa missão de recolha de informação ao Templo das Colunas, ali perto. Nada lhes foi dito sobre o dito Templo, a não ser que o deviam submeter a rigorosa observação e procurar dele extrair os elementos que lhes chamassem a atenção. Reunido o grupo mais uma vez em redor da Távola revelou-se que as múltiplas intuições estavam alerta. Vários tinham levado as suas máquinas fotográficas e lá recolhiam o testemunho da sua atenta observação. De facto, de todos os elementos simbólicos chave, mais de 2/3 estavam nas mãos do grupo e as reflexões que, em conjunto, tiveram a oportunidade de fazer, na sua vasta maioria se aproximaram muito de resultados excepcionais.

Daquele lugar mágico, o grupo dirigiu-se ainda mais para o fundo da floresta, abandonado o caminho fácil e pavimentado recomendado a turistas. Depois de passarem por covas e grutas onde alguns monges de S. Jerónimo (SJ) tinham o hábito de se recolher por certas temporadas, descobriram entre improváveis giestas os rastos de velhas escadarias que, entre duas estreitas e elevadas fragas, os levaram à contemplação da Palácio desde o Trono, aglomerado lítico de importância central. Foi o descanso do peregrino, antes de se voltar a embrenhar nas trevas da floresta.

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Em busca da fresca água da Serra o grupo pôde ver o modo intencional e muito sábio como as correntes aquíferas e o jogo entre minas e lagos decorativos, captavam a essência mais subtil da vida na Serra e como, pelos seus vales, tudo faziam florir e frutificar, serpenteando pelas fragas, alimentando de frescura e luz os vales profundos. Ao fundo, os cisnes brancos evocavam os Cavaleiros da Távola Redonda e os lagos onde Amfortas, o Rei Pescador, se banhava e onde curava as suas feridas.

O grupo retirou-se do Parque já muito para lá da hora prevista (os portões já estavam fechados e foi necessário pedir que a segurança viesse abrir as portas para sair do Parque!), cansado, mas feliz com a oportunidade e com a cabeça a colocar-se questões sobre a Cavalaria viva e actuante nos tempos modernos como possivelmente não se teria colocado antes.

Em nome de todos os Cavaleiros e Damas da Ordem, devemos enaltecer as qualidades demosntradas ao longo da peregrinação do dia pelos Escudeiros presentes. Boas coisas se esperam deles. As instruções irão prosseguir em Julho, com uma visita ao Convento dos Capuchos em Sintra, sob a temática da Via Monástica.

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Alguns links para conhecer a Pena:

Visita Virtual no Google

Vista 360º

Blog com boas fotos

Página oficial do Palácio