Mas afinal onde estão os Templários?

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Uma Ordem com a antiguidade histórica da Ordem do Templo, para mais suprimida por meios violentos e injustos, deixou naturalmente muitos ecos da sua existência que perduram séculos. Para os estudiosos o problema da sobrevivência da Ordem não é um mistério, já que há dados suficientes para demonstrar que a Ordem foi suspensa pela Santa Sé, única autoridade reconhecida por ela, pelo que compete à mesma Santa Sé retomá-la ou não. Estou certo que o fará em moldes que chocarão profundamente a maior parte dos ditos “neo-templários” ou “templários” dos dias de hoje, arrasando de vez com mitómanas pretensões e tolices disfarçadas de “história”. Mas a seu tempo o veremos.

É para nós – e aqui falo em nome da Ordem que represento – completamente indiferente o que aconteceu ao “corpo”, parte tangível e mortal da Ordem Templária. Quem quiser o seu cadáver (e muitos o querem…), que o reclamem e lhes seja de boa serventia. O que nos importa é o interior, a dimensão espiritual e transcendente que compunha a mística da Ordem, a qual lhe é anterior e de origem ainda por apurar. Esse cimento invisível de coesão – que Filipe, o Belo, não pode matar ou queimar – esteve bem presente quando D. Dinis sabiamente apadrinhou a Ordem de Cristo. Essa chama que dá a luz imperecível, a mesma que assegura que o candelabro que ilumina a Santa Palavra sobre o altar de Chartres veicula idêntica luz espiritual que aquela candeia na noite gélida de Trancoso ilumina a Sagrada Família na sala da estar de uma velha mãe que reza em súplica a Maria piedosa pela sua prole, essa luz imortal que activa o Templo terrestre e procede do Templo celeste, essa é a causa e a força que nos interessa. Essa é a verdadeira chave que sobeja uma vez varridas as cinzas dos corpos calcinados na fogueira das tiranias humanas. Ao queimar corpos e carne e ossos, Filipe não impediu que o “ethos” Templário se prolongasse na história através de luminárias como a Ordem de Montesa, a Ordem de Calatrava, a Ordem de Alcântara, os Cavaleiros do Gládio da Ordem Teutónica, a Guarda Real de Robert Bruce, a Estrita Observância Templária e, porventura a mais brilhantes de todas as partículas em brasa dessa Fénix Templária que foi a Ordem de Cristo de Portugal. Se Filipe teve algum mérito foi o de tornar imortal uma Ordem que mostrava sinais de decadência. Foi o de multiplicar por dez os corpos que veicularam com êxito a missão e a ética Templária ao longo da Europa medieval e renascentista.

Ora, olhando profundamente se notará que parte do espírito Templário sintetizam uns e outros ramos dessa antiga família ainda activos nos dias de hoje. Há grupos excursionistas, cujas actividades se centram em viagens pelo mundo para assistir a uma missa e uma “investidura” de gente que jamais voltam a ver na vida. Essa é uma vertente. Há outros grupos que preferem os Jantares de Gala e toda a vaidade que com eles se vive. É um outro aspecto. Os Templários originais foram acusados muitas vezes de “bêbados e comilões, pouco interessados pelos pobres”, pelo que é perfeitamente legítimo andar a exibir essa parte da Tradição Templária pelo mundo. Porque não? O que é muito difícil encontrar é um filho, num dos ramos centrais ou colaterais, que mantenha as práticas mais puras e mais bem ancoradas na verdade Templária, que possam dar acesso à tal Cavalaria Espiritual que fez o Templo e o refez sempre que assim foi preciso ao longo da História.

No nosso caso, OSMTHU, ramo da OSMTH (obrigado a seguir caminho autónomo nos anos da 2ª Guerra a partir da OSMTJ), estamos muito pouco preocupados em saber se Clemente V foi conivente com Filipe deixando que os Templários fossem queimados na fogueira, ou se Clemente V não foi conivente, assinou um documento (“Carta de Chinon”) em que absolveu a Ordem, na sequência do qual deixou Filipe queimá-los na fogueira. Para nós, o “cheiro a esturro” não se dissipa. E nós, OSMTHU, fomos os primeiros (senão os únicos) a ser convidados por Barbara Frale e o Padre Pagano a visitar os Arquivos Secretos do Vaticano e ver o documento , nos idos de 2002. Contudo sabemos que documentos históricos devem ser enquadrados no seu contexto e tempo históricos, pelo que pretender reconhecer mais de 700 anos depois da assinatura da Carta de Chinon uma Ordem fundada mais de 400 anos após a mesma assinatura é de uma desfaçatez  e fantasia mitómana que em nada abona a organização que mantém esse fim, declarando à imprensa que vai “negociar” com o Vaticano… Como se o Vaticano negociasse este tipo de assuntos como quem regateia o preço das nabiças na saudosa Praça do Bolhão… Tenham paciência…

Estamos pouco preocupados em saber se o cadáver Templário pode ser exumado pelo simples facto de que o seu espírito e a sua força anímica, a sua componente transcendente (que não é de jantares anuais, mas, recorde-se, de MONGES -SOLDADOS), o seu SER, está vivo e é tão coerente hoje como o era há 800 anos. É tão Templário como sempre o foi.

Dito isto, há que reconhecer que este post é motivado pela verdadeira avalanche de emails, comentários e pedidos que temos recebido nos últimos dias de entrada na Ordem. Isto deve-se à recente cerimónia realizada em Coimbra por um outro ramo da Ordem que teve cobertura mediática muito razoável. Sobre esse ramo não nos cabe pronunciar (mais uma vez, o frutos são o melhor indicador da árvore que os dá). Cabe sim esclarecer que a OSMTHU está numa fase de interioridade que não é compatível com cerimonial público. Por um tempo ainda indeterminado a Ordem considerou que é profundamente importante reforçar os dois aspectos marcantes da nossa Tradição:

a) A Instrução da Cavalaria (quer histórica, quer filosófica, quer simbólica)

b) A Instrução Religiosa (sem a qual o potencial Cavaleiro não pode realizar a plenitude da iniciação MONGE-SOLDADO)

Estas duas componentes aparentemente contrárias (a do guerreiro que tem o poder de matar e a do sacerdote que tem o poder de absolver) são específicas do nosso ramo da Tradição Templária e não se encontram disponíveis em nenhum outro ramo activo neste momento.

Deste modo, a OSMTHU em Portugal determinou que, antes de se proceder a qualquer tipo de aproximação à Ordem, é de vital importância que possíveis candidatos às suas fileiras entendam de modo muito claro o que é a Ordem e o que podem de forma REALISTA esperar da sua filiação. Deste modo, estabeleceu-se um protocolo com o In Hoc Signo Hermetic Institute (ver www.ihshi.com) que permite a qualquer postulante empreender um período de estudo aprofundado através do Grupo de Estudos Templários, após o qual está melhor posicionado para decidir que ramo da enorme família Templária mais se coaduna com as suas aspirações.

Assim, até notícia em contrário e à semelhança de outras Ordens de carácter iniciático, a OSMTHU em Portugal delega no Instituto IHS a fase introdutória de preparação e orientação prévia dos seus futuros membros.

Mas afinal onde estão os Templários?

Ao leme, Senhor… Ainda estão ao leme.

15 thoughts on “Mas afinal onde estão os Templários?

    Francesco Cavalli said:
    September 9, 2010 at 11:10 pm

    Hermano Luis, has colocado el dedo el la llaga, donde el TEMPLARISMO de SMOKING, el cual solo busca la publicidad y el espectáculo, para calmar el grado de curiosidad o podríamos llamarlo morbosidad por parte de unos cuantos. Algunos que solo buscan el enriquecimiento de bolsas habidas de necesidad de explotación a los pocos incautos que creen que con cancelar una cuota de ingreso les proporcionen un manto y un plasette ya quedan investidos como CABALLEROS TEMPLARIOS.
    Nuestra Orden es iniciatica, luego se requiere formación, preparación y estudio, ya que no todos tiene los méritos para formar CABALLEROS, estos se ganan con trabajo y dedicación; nuestros actos no son públicos son reservados donde todos buscamos mas la interioridad del conocimiento basados en una formación, retomando el camino del TEMPLARIO, donde el crecimiento espiritual y personal son la clave del éxito.

    Jamal Kazar said:
    September 16, 2010 at 8:54 am

    nowhere…

    and everywhere, my brother !

    Jamal Kazar said:
    September 16, 2010 at 8:55 am

    em lado nenhum…

    e em toda a parte, irmão !

    Adílio said:
    September 17, 2010 at 3:25 am

    Caro Luis,

    Parabéns pelo texto, profundo e realista!

    Fraternalmente,

    Adílio Jorge.

    Mirmo said:
    September 20, 2010 at 7:33 pm

    Que bela manifestação.
    Segundo o site do Priorado Geral do Brasil OSMTHU, a Ordem “Declara-se e reconhece como seguidora de Jesus Cristo Nosso Senhor e seus ensinamentos, reconhecendo-o como verdadeiro Filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade, o que supõe dessa forma ser também Mariana, pois desde o começo essa foi a profunda devoção da Ordem”.
    Esta indicação é verdadeira no contexto global da OSMTHU?
    O ramo português da OSMTHU é autónomo ou ligado a algum Priorado específico (como o do Brasil ou de Itália)?
    Bem-hajam pela informação.

    Luis Matos responded:
    September 21, 2010 at 12:06 am

    A afirmação do site do Brasil é verdadeira e corresponde a todos os Priorados. O ramo Português é autónomo.

    Rosali said:
    October 3, 2010 at 10:29 pm

    Parabéns, querido irmão, pelo texto tão profundo !

    Sor+Rosali
    Priorado Geral do Brasil

    Rui Subtil said:
    December 15, 2010 at 9:56 pm

    Apesar da grafia estar realmente impressionante não nos devemos levar pelas palavras que entram directamente na nossa mente.
    A veneração verdadeira dos Templários nunca foi a Jesus “Cristo” mas sim outras incluindo o paganismo para isso basta estudar a area do Languedoque-Rossilhão.
    Se verificarem e estudarem um pouco verão que o dia 24 de junho tem um significado importantissimo para os templarios e sera porque???

    Relativamente aos templarios há que verificar que nem todos pertenciam ao circulo interno (muitos poucos pertenciam) e sendo assim nem todos tinham o mesmo conhecimento. Por isso havia imensos que nem iniciados eram.

    Cristina Domingues said:
    January 2, 2011 at 11:01 pm

    Gostaria, por favor, de saber como posso aderir à vossa ordem. Em primeiro lugar deveremos contactar a IHSHI ou o próprio Luís de Matos. É que, de fato, já estive em contato com as tais organizações dos jantares de gala e não me agradou a ideia de pertencer a uma entidade com este perfil. Achei que, de fato, tinha muito pouco de Templário.

    Agradecia muito que me desse uma resposta.

    Cumprimentos,

    Cristina Domingues

    Luis Matos responded:
    January 3, 2011 at 7:58 pm

    Cara Cristina:

    O IHSHI é a entidade que está a organizar um curso de introdução à Ordem. Não será possível pedir acesso à Ordem sem ter feito o corso. Neste momento esperamos que ele possa iniciar-se em Março. Já foi adiado algumas vezes simplesmente porque o Instituto tem tido um êxito muito superior às expectativas e estamos com o calendário muito apertado com actividades. Mas creio que em Março arrancamos com o curso. De todo o modo, a viagem iniciática deste ano (o ano passado foi a Trás-os-Montes em Julho), deverá ser à cintura de Castelos Templários do Tejo, a que se juntarão os da s Beiras. O Grupo de Estudos está já muito adiantado na sua elaboração. Mantenha-se atenta.

    Luis de Matos

    Sandra Ribeiro said:
    January 11, 2011 at 7:55 pm

    Caro Luís de Matos

    Já tive a oportunidade contactar o IHSHI via mail para saber mais pormenores sobre o curso, mas, até ao momento, ainda não recebi qualquer resposta. Como sei que está também ligado a esta entidade, agradecia, por favor, que me desse algumas informações sobre o assunto. Como sou do Norte, não sei se, eventualmente, poderei ter acesso ao curso via online.

    Cumprimentos,

    Sandra Ribeiro
    (sou a mesma pessoa que assinou, anteriormente, com o nome de Cristina Domingues)

    Luis Matos responded:
    January 14, 2011 at 10:43 am

    Cara Sandra:

    Deve manter-se atenta ao site do IHSHI porque o Curso irá arrancar ainda durante o início do ano. Uma das razões pelas quais estamos um pouco atrasados tem que ver precisamente com o facto de querermos incluir pessoas de fora de Lisboa, sem transformar o Curso num conjunto de instruções por correspondência, o que é inútil. Em princípio o seu nome j+a est+a incluído numa lista que será contactada por email a seu tempo. Mas não perde nada em manter-se atenta ao IHSHI.

    Luis de Matos

    Sandra Ribeiro said:
    January 15, 2011 at 4:29 pm

    Caro Luís de Matos

    Agradeço a informação. Já enviei um novo mail ao IHSHI, porque vi, no respectivo site, que se preparam para iniciar um novo curso. Apesar da distância, espero, de facto, vir a frequentá-lo.

    Cumprimentos,

    Sandra Ribeiro

    Celso Alves Ferreira said:
    April 18, 2011 at 3:41 pm

    Boa Tarde Luís de Matos,

    Há muito que anseio iniciar a minha Viagem, estou pronto para aprofundar e desejoso de pertencer à Vossa Grande Ordem. Gostaria para isso de iniciar a Jornada e participar no Curso IHSHI, como posso faze-lo?

    Com a mais elevada Estima,
    Celso

    renato marendaz nascimento said:
    June 17, 2011 at 10:48 pm

    preciso saber como faço para me juntar a odem?

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