DeMolay!

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No dia 18 de março de 1314, foi queimado na fogueira às margens do rio Sena, o 23º e último Grão-Mestre da Ordem do Templo, chamado de templário. Vários outros companheiros haviam sido vítimas de torturas, fogueiras ou humilhações, pelo colégio inquisitorial católico e pela monarquia francesa, principal deflagradora do processo de desarticulação da maior ordem militar europeia. Tudo sob os auspícios da autoridade papal ambígua e incapaz de fazer frente aos interesses e exércitos de Felipe IV.

Ainda que haja milhares de explicações históricas para a fatídica extinção do Templo, é necessário fazer do episódio uma metáfora e, por isso mesmo, a figura de DeMolay entrou para a história como sinônimo de resistência contra a tirania, contra a maldade, contra a perseguição. A imolação da vítima serviu para anunciar os novos tempos: a centralização monárquica, a formação de exércitos nacionais, a radicalização dos dogmas, o sistema financeiro nacional, enfim, um conjunto responsável pelo mundo moderno e contemporâneo. Não morreu o ideal de cavalaria, sustentado na palavra de honra, na moral defendida com o fio da espada, da coragem, do bem. Embora tenha sido ridicularizado por Miguel de Cervantes a criticar os romances de cavalaria tardia, em seu Dom Quixote, esses ideais transformaram-se e ganharam foros simbólicos. Os símbolos inspiram a consciência, elevando-a para um novo patamar de compreensão.

Multiplicaram-se as ordens simbólicas e entre elas, uma das mais importantes organizações juvenis do mundo: a Ordem DeMolay. Responsável por cultivar valores ligados à família, à cidadania, educação pública, reúnem-se periodicamente os jovens que se interessam num novo padrão simbólico, sem sangue, sem guerras, sem destruição, cujo campo de batalha está no íntimo. Esses jovens erram e acertam, refletem sobre o mundo e sobre si mesmo e transformam-se, forjados com essa linha ética que mantém uma ligação indissociável com aquele mártir.

Mato Grosso deve estar orgulhoso. Temos João Bosco Monteiro da Silva Júnior como Grande Mestre Nacional Adjunto da Ordem DeMolay, essa organização extremamente conceituada que pretende fazer dos jovens pessoas melhores e líderes de uma transformação moralizadora. Além disso, congrega vários Capítulos em Cuiabá, Várzea Grande e outras tantas cidades, formatando uma teia de relação de troca de experiência para esses jovens engajados naquele ideal simbólico de cavalaria.

DeMolay virou lenda, símbolo, inspiração. Os méritos desta e de outras figuras deste quilate, é fazer das vivências um manual, um guia, um catecismo. Num tempo onde pode parecer ultrapassado o culto da honra, é justamente nisso que se apoia a nossa salvação enquanto comunidade: estabelecendo laços perpétuos de credibilidade. Parabéns a todos os que cultivam essas idéias e se sacrificam por elas.

por Eduardo Mahon, Gazeta Digital