Forum.thomar.org faz visita à cidade – Parte IV

Posted on Updated on

newspaper

 

Mística Templária junta “Cavaleiros Guardiães de Santa Maria do Olival”

 

O Blog http://blog.thomar.org/ dos Cavaleiros Guardiães de Santa Maria do Olival tem vindo nos últimos tempos a tornar-se uma referência na blogosfera Tomarense. Não são só os polémicos temas Templários, mas sim e também, os constantes alertas de atentados ao património, havendo quem já os intitule de Zeladores do Património histórico, que lhes tem trazido alguma popularidade. São um grupo jovem de pessoas independentes que de uma forma criativa e original vão dando notícias periódicas das suas investigações e preocupações sobre os livros de pedra que constituem a herança de dois mil anos de sucessivas construções em Tomar. É essa força do passado que os move em direcção ao futuro.

Desta vez, e verificado nos últimos tempos, um substancial aumento de visitantes no blog e no fórum, onde vão se debatendo temas propostos, decidiu-se organizar formalmente a confraternização usual, tornando possível uma visita a espaços do Convento de Cristo não acessíveis ao público em Geral e à volta dos quais existe toda uma aura de mistério, como seja, a Torre de Menagem do Castelo e a Sala, que o autor do Pêndulo de Foucault, Umberto Eco, designa como a sala de iniciação onde decorreram possivelmente estranhos e misteriosos eventos em tempos recuados. Como não poderia deixar de ser, também a peregrinação contemplou uma espreitadela nas estelas funerárias expostas no Claustro da Lavagem que a sobejamente conhecida UAMOC – União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo – recolheu nos princípios do século XX no concelho e principalmente na necrópole da Igreja de Santa Maria do Olival, talvez a maior da Europa, dizem actualmente os especialistas. Aliás referem os “Cavaleiros de Santa Maria” terem como fonte de inspiração essa União que tantos ilustres Nabantinos albergou e de quem o povo ainda não se esqueceu.

Mas se Tomar vive ainda hoje muito do espírito mítico Templário, das suas lendas e mitos, optou a organização por convidar um dos responsáveis do Convento para guiar a visita, não só com o intuito de dar a conhecer uma história mais factual, mas não menos fantástica, à quase meia centena de pessoas que aderiram ao evento, mas também informar das últimas investigações que se estão a levar a cabo actualmente e que brevemente irão ser comunicadas e publicadas em livros e publicações especializadas.

O Jantar ocorreu no restaurante Tabuleiro e participaram 35 pessoas oriundas dos mais diversos pontos do país, de São João da Talha no Porto a Lisboa, e das mais diversas áreas profissionais, diversidade que também encontra ecos nas idades dos participantes, dos quinze aos oitentas. No entanto verificou-se estarem em minoria os naturais de Tomar.

Que dizem as obras de arte e que representam? É possível que por debaixo dos nossos olhos os artistas tenham dissimulado mensagens heréticas ainda hoje não reconhecidas mas que fazem parte da estrutura da obra, sem no entanto lhes retirar valor artístico. Teria sido Portugal como pais periférico palco de uma libertinagem criativa por parte desses poetas do pincel da cor? Foram estes os motes para a apresentação que ocorreu no Jantar sobre elementos heréticos na pintura portuguesa quinhentista, autentica viagem ao período Manuelino, dando a conhecer os artistas responsáveis pelo surto pictórico que ocorreu nessa época de grandes prosperidade económica. Iniciou-se a palestra com a leitura de poesia dedicada aos monumentos Tomarenses e acabou com a leitura de trechos do livro escrito no séc. XVI pelo Frei Isidoro de Barreira no Convento de Cristo, “Tratado da Significação das Plantas e Flores constantes nas Sagradas Escrituras”, chave para a interpretação dos mais variados elementos iconográficos constantes na brilhante pintura da época, onde se demonstrou também a inclusão de referências indirecta à antiguidade clássica veladas em temas de carácter cristão. Como momento lúdico, projectou-se também o quadro do Pentecostes existente na Igreja de Santa Maria do Olival, onde insolitamente surge um Apóstolo, talvez São Pedro, com seis dedos nas mãos e quatro nos pés. Espera-se a publicação dessa apresentação brevemente no blog.

Após uma noite de romaria (e porque de romãs muito se falou na palestra) pelos diversos locais de divertimento da noite de Tomar, e prestada a devida homenagem na antiga Praça D. Manuel I ao Mestre Gualdim Paes antes de renderem-se a sonhos com cavaleiros e navegadores, reuniu o grupo às onze horas de Domingo na Igreja de Santa Maria do Olival, onde se deu a conhecer a historia do local que deu nome ao blog. O grupo reduziu-se visto nem todos terem pernoitado em Tomar, mas ainda se via aproximadamente 20 pessoas a deambular na Igreja. Desde a famosa pedra obliqua, sobre a qual correm rumores de ser o acesso à um subterrâneo que liga a igreja ao convento, até à demonstração da beleza artística do tumulo do Bispo Diogo de Pinheiro, obra de arte renascentista, aprendeu o grupo que Santa Maria foi modelo de todas as outras igrejas que se construíram nas províncias ultramarinas aquando da expansão Portuguesa por terras do além mar.

Deu-se o desfecho pela hora de almoço, tendo o grupo se desmembrado, não obstante nessa tarde ser possível encontrá-los dispersos nos diversos monumentos que não se teve oportunidade de visitar. De Pegões a Almourol, passando pela Igreja de São João Baptista poder-se-ia verificar a presença destes Guardiães tão ligados à herança do passado, como se fossem marcos ou padrões vivos disseminados pelo concelho.

À semelhança das cidades antigas de Roma, de Jerusalém, Constantinopla ou mesmo Lisboa, onde 7 colinas são um testemunho do seu carácter sagrado, a Mata dos 7 Montes será nos próximos meses o local onde se irá promover um piquenique, aproveitando-se o momento para dar a conhecer a “Ecologia Espiritual” dessa mítica mata que se pode aquilatar como o paraíso edénico da cidade. Como alguém diria, da Charola à Charolinha.”

in “O Templário”, Março 2009