Quaresma: época de penitência para conversão

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“Para qualquer festa importante, a gente costuma se preparar. Quanto mais importante a festa, parece que mais tempo leva a preparação. E na preparação já se começa a viver a festa.” Assim deveria ser o tempo da quaresma, segundo o padre Luis Carlos Rosa.

Ele também é pároco da igreja Nossa Senhora de Lourdes, no Parque Nossa Senhora das Dores, e resumiu: “trata-se de um período de quarenta dias, que prepara os cristãos para a festa máxima da Igreja Católica, a Páscoa, quando Jesus Cristo morreu e ressuscitou prometendo vida eterna aos seus seguidores”.
A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, que será celebrada amanhã (posterior ao Carnaval) e se estende até o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Caracteriza-se por um período de jejum, penitência e reflexão.
Mas com as mudanças globais, essas características não perderam o sentido? Para o padre, houve uma inversão de valores, mas o significado da época nunca foi perdido. Abstinência de carne em toda sexta-feira, durante os 40 dias, missas em latim, oração que varava a madrugada, Vias-Sacras, nada de festas, bailes, música, barulhos – todas essas imposições rigorosas da Quaresma foram suavizadas no famoso Concílio Vaticano II, realizado nos anos 60, e que promoveu uma verdadeira reforma litúrgica. “Quem viveu na primeira metade do século 20, mais precisamente até os anos 60, ainda lembra dos rigores da penitência”. Os padres seguiam ao pé da letra trechos da Bíblia como a Epístola de São Paulo aos Romanos, que diz: “Participamos dos sofrimentos de Cristo para participarmos também da sua glória”.

Segundo ele, “há uns tempos a Quaresma tinha um estilo de fazer penitência, mas hoje, com o mundo moderno e urbanizado, as formas de penitência também se modificam. Quando existem pobres e pessoas que passam fome, como você vai dizer para as pessoas fazerem jejum?”. Rosa, então, expôs algumas alternativas. “Deixar de acessar a internet por motivos banais. Esquecer o I-Pod ou outros eletrônicos, que já fazem parte da vida das pessoas. São novos desafios nesse tempo”. De acordo com ele, o sentido da penitência é abster-se de algo e praticar a caridade. “A Igreja não impõe, mas sugere e mostra o caminho da conversão, que leva ao Reino dos céus”.

Por isso, Quaresma é também tempo de revisão de vida, de penitência, de reconhecer com humildade e confiança onde estão as deficiências e buscar o perdão e a força de Deus. “Isso se faz com esperança, que vem da fé no amor de Deus Pai, que nos enviou seu Filho Jesus e na força do Espírito Santo, que sempre nos chama, nos ama, nos ajuda, perdoa e faz crescer”. A introdução da Campanha da Fraternidade nesse período, é um propósito aos cristãos.

QUEBRA DE PENITÊNCIA

Há quem, por algum motivo ou simplesmente por desistência, “quebra a penitência” durante a quaresma. Questionado sobre algum tipo de punição divina, o religioso explicou que o sentimento de culpa da pessoa, basta. Segundo ele, Deus não castiga, mas os que conseguem manter o que prometeu, está mais próximo da graça.

Mais do que um período de penitência, explica o padre, a Quaresma deve ser usada para um contato maior com a própria fé e com o legado deixado por Cristo. “Quaresma é tempo em que a gente se dedica com mais atenção à escuta da Palavra de Deus e à oração, um tempo em que a gente procura se educar com mais afinco para realizar melhor nossa missão de cristãos”

Assim, conforme o padre, o jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa deveria ser mais simbólico, “no sentido de renunciar às coisas supérfluas, como bebidas alcoólicas, fumo, e guloseimas, no caso das crianças”. (RR)

O significado das cinzas

A missa de Quarta-feira de Cinzas inclui uma cerimônia de imposição das cinzas. “Trata-se de uma homenagem à passagem em que o profeta Jonas foi à cidade de Ninive e disse que em 40 dias ela seria destruída se não fizessem penitência. Então o povo se vestiu com trapos e cobriu a cabeça com cinzas. “Mas também é um apelo, uma lembrança que nós somos pó, depois da morte não sobra nada do nosso corpo, das nossas vaidades, e é necessária esta conversão”, explicou o padre Luis Carlos Rosa.

in Gazeta de Limeira, Foto F. Ribeiro.