Posted by: Luis Matos | November 29, 2007

Bento XVI abre a ‘casa’ para receber islâmicos

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Venham ao Vaticano dialogar com Bento XVI. Este foi o apelo lançado pelo Papa, por interposta pessoa, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, a altos dignitários muçulmanos que pugnam pelo entendimento entre islâmicos e cristãos. Um “grupo restrito”, este, composto por 138 sunitas e xiitas.

O Sumo Pontífice fê-lo depois de receber uma carta, juntamente com os representantes de outras confissões cristãs, a propor o diálogo entre as duas religiões. Uma proposta que teve bom acolhimento da Santa Sé, como se vê. A missiva do poliglota Papa foi redigida por Bertone em inglês, tendo como destinatário o príncipe da Jordânia Ghazi bin Muham- mad bin Talal, presidente do Instituto Real Aal al-Bayt para o Pensamento Islâmico.

O documento tem raízes. Foi escrito a 19 de Novembro (mas só divulgada ontem), um dia depois de o jornal americano New York Times ter publicado, em anúncio de página inteira, um texto de 300 teólogos cristãos e líderes de igrejas intitulado “A Christian Response to A Common Word Between you and me” , que, em Outubro, tinha sido divulgada pelos 138 clérigos muçulmanos.

Nesta “Resposta Cristã”, os signatários fazem uma espécie de catarse: deitam-se no sofá da História e pedem perdão aos muçulmanos. Um me culpa colectivo. Recordam vários episódios concretos, como as Cruzadas e eventuais excessos cometidos na luta contra o terrorismo (“war on terror”). Admitem que muitos cristãos foram culpados de pecados contra os vizinhos muçulmanos e, por isso, escrevem: “Pedimos perdão ao Todo-Poderoso (Alá) e às comunidades muçulmanas em todo o mundo.”

Tanta humildade não é pacífica. Uma das críticas mais bem feitas sobre este assunto foi escrita por Bruce S. Thornton, professor na Universidade Estadual da Califórnia, em artigo publicado na revista City. Chama-se “Epístola aos Muçulmanos”. “Não esqueçamos a longa ocupação islâmica, durante sete séculos, de Espanha, os séculos de raides no sul de Itália e de França, o quase saque de Roma em 846, a ocupação da Sicília e da Grécia, os quatro séculos de ocupação dos Balcãs, a destruição de Constantinopla, os dois cercos a Viena, o rapto de jovens cristãos para servirem como janíçaros dos séculos XIV a XIX, as contínuas incursões no litoral mediterrânico, de 1500 a 1800, à procura de escravos, além dos actuais ataques terroristas dos jihadistas contra o Ocidente.”

in DN.pt

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