Trancoso – Terra de Templários, Terra de Profecias

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O povoamento em Trancoso terá começado no século XIX A.C.. A comprová-lo a existência de um primitivo castro pastoril, posteriormente defensivo, provavelmente situado no mesmo local onde mais tarde se havia de erguer o castelo. Em 301 A. C. chegam os invasores romanos, aproveitam e ampliam o castro, dada a sua posição estratégica, o que lhes permitiu uma permanência bastante demorada, até ao ano 409 da nossa era (século V A.C.).Existem 2 hipóteses sobre as origens de Trancoso:

– Túrdulos,

– Um enviado da Etiópia e do Egipto, de seu nome Tarracon.

Da segunda hipótese terá resultado o nome de Trancoso: Tarracon – Taroncon – Trancoso.

Outros falam que o nome de Trancoso terá resultado do vocábulo arcaico Troncoso, derivado do sítio onde existem muitos troncos ou florestas (Trancoso, nos seus primórdios, estava rodeada de densas florestas e ainda hoje é viveiro de árvores de grande porte).O nome só aparece documentado pela primeira vez no século X no testamento de D. Chamoa (ou D. Flâmula ou D. Chama), filha do conde D. Rodrigo, com doação do castelo e dos bens que aqui detinha, uma vez que estava na posse de toda a região a sul do Douro, herdada em 960.Antes dos romanos estiveram em Trancoso os cartagineses que permaneceram por 300 anos. Seguiram-se os romanos e nesta altura fizeram-se grandes obras.

Trancoso, no século XIII, começa a ter uma importância grande. Tornara-se um local de intensa actividade comercial, por força da periódica reunião de feirantes, de que iria resultar, ainda nesse século, por decisão de D. Afonso III, a criação da sua feira franca. Essa mesma importância, que, como referimos, lhe vinha desde o tempo de D. Afonso Henriques, para quem a sua conquista representava uma acção fundamental para a fixação do território até aí subtraído aos mouros, atribuindo o direito de foral à dita terra, com todos os privilégios e regalias. Deste documento ignora-se a data, mas é em 1217 que D. Afonso II, neto daquele monarca, também por carta régia, confirma tais privilégios e regalias.

Em 1270, D. Afonso III cede por 600 libras anuais os seus direitos sobre Trancoso, o que mostra, com evidência, o valor já assumido pela povoação.

É, porém, com a escolha de Trancoso para lugar do seu casamento com D. Isabel de Aragão, que D. Dinis confirmará a importância assumida por esta terra na era de Duzentos. Depois do famoso enlace das duas régias figuras, em 1282, que trouxe à região trancosana centenas de componentes das duas comitivas e que nela permaneceram por mais de sessenta dias, jamais a Vila de Trancoso deixou de crescer em prestígio e grandeza. É também o próprio rei, que a elegera para palco do seu real casamento, quem vai lançar as bases do grande povoado em que haveria de tornar-se, mercê dessas atenções e dos muitos mais privilégios concedidos por este e outros monarcas.

Contudo, são os séc. XVII, XVIII e XIX que nos permitem falar sobre uma transformação arquitectónica, sob os pontos de vista de construção e de arte, quer nos edifícios civis, quer nos religiosos. Aliás, basta percorrer a Vila, no espaço intramuros e observar a aplicação dos estilos maneirista e barroco em tantas das suas edificações. São disso exemplo, construções como as igrejas de Santa Maria e de S. Pedro e a Misericórdia, também. O solar dos Garcês, o conhecido palácio Ducal, antiga residência dos Viscondes de Trancoso e a Casa do Arcos, ao lado da igreja paroquial de S. Pedro. Curiosamente, a volumetria não se equaciona com o porte em altura, o que nos leva a concluir, definitivamente, que sempre houve um nivelamento que caracterizou a malha urbana que não o enriqueceu com sumptuosidade e esplendor de alguns outros Centros Históricos conhecidos, mas que lhe permite valorizar a unidade dos seu conjunto, apenas pontuado, portanto, aqui e além, por um edifício de maior dimensão, o que, em contrapartida, valoriza o antiquíssimo burgo trancosense.

O Castelo de Trancoso

Desde meados do séc. X que a região dos extremos ou estremadura estava pontilhada de castelos e penelas, como se pode comprovar pelo documento em que D. Flâmula doa os castelos e penelas ao mosteiro de Guimarães, entre eles os castelos de Trancoso, Moreira de Rei e Terrenho. O mais notável é o de Trancoso em que a Torre de Menagem é testemunho único no país, pela sua estrutura tronco-cónica de origem moçárabe, base da torre que constituía o castelo de D. Flâmula. O castelo tem cinco torres quadrangulares, a torre de menagem tem a porta em forma de arco de ferradura e as principais obras de fortificação foram levadas a cabo entre os séc. X e XIII, quando foi centro de duros combates. D. Afonso Henriques tomou-o em 1139 mas suportou diversos ataques muçulmanos até 1155. Está classificado como Monumento Nacional por Dec. Lei n.º 7586 de 08/07/21.

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As Muralhas

Em 1140 e 1160 reconstruíram-se as muralhas exteriores. Para manter os seus defensores, o rei atribuiu-lhe o foral por volta do ano 1173 e doou a terra à Ordem dos Templários, a qual pertenceu até à sua extinção, no princípio do séc. XIV. A fortificação contava com uma cerca de muralhas de 1 Km de circunferência, apoiada em 15 torres, sob as quais, ou a seu lado, se abriam 4 portas: as d’El-Rei, a de S.João, as do Prado e a do Carvalho; a estas juntavam-se 3 postigos: o Olhinho do Sol, o Boeirinho e a Porta da Traição. Sendo uma vila de fronteira nunca se descuraram as suas fortificações. D.Dinis ordenou diversas reformas no conjunto amuralhado e D. João I reforçou-o durante as guerras com Castela. Por volta de 1530, D. João II mandou acrescentar-lhe novas torres do lado norte. Estão classificadas como Monumento Nacional por Dec. Lei n.º 7586 de 08/07/21.

O Bandarra

De seu nome Gonçalo Anes, Bandarra por alcunha, terá nascido em Trancoso nos inícios do século XVI, ou mesmo em 1500.Da fama deste “Nostradamus” português possuímos uma gravura do século XVII publicada na 1.ª edição de 1603 das Trovas, levadas ao prelo por D. João de Castro. Conhece-se a assinatura do Profeta nos autos do Santo Ofício e por esta finada instituição de martírio, todos os passos do sapateiro e profeta entre 1538 e 1541.Bandarra faleceu em Trancoso, onde foi sepultado, estando o seu túmulo na Igreja de S. Pedro em Trancoso. Crítico de Costumes, poeta, profeta, Bandarra foi lido, temido e perseguido pela Inquisição.

Bandarra profetizou em termos bíblicos o Quinto Império, interpretado e comentado pelo Padre António Vieira e Fernando Pessoa.

O Padre António Vieira viria a escrever: “Bandarra foi verdadeiro profeta, pois profetizou e escreveu tantos anos antes tantas cousas, tão exactas, tão miúdas e tão particulares, que vemos todos cumpridas com os nossos olhos”.

Uma dessas profecias diz respeito ao próprio, judiciosa e relevante:

“Em dois sítios me achareis,

Por desgraça, ou por ventura:

Os ossos na sepultura,

A alma, nestes papéis.”

Bandarra chegou a prever que D. João ou “D. Fuan”, será esse “novo rei alevantado», aclamado em finais dos “anos quarenta”. De facto D. João IV seria aclamado em 1640, com coroação no Terreiro do Paço. Nessa época o retrato de Bandarra foi então exposto na Sé de Lisboa.

As principais referências bibliográficas são: As Trovas de D. João de Castro; A Mensagem de Fernando Pessoa; Oliveira Martins “História de Portugal”; Lopes Correia “Monografia”; Hermani Cidade “Padre António Vieira”.

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Cronologia

900 – Nesta centúria, em ano não fixado, o nome de Trancoso aparece num documento coevo, o testamento de D. Chamôa (D. Flâmula), filha do conde D. Rodrigo, que era senhora de toda a região a sul do Douro.

1059 – Trancoso, com muitos outros castelos vizinhos, é libertado do poder dos árabes, depois de várias vicissitudes e durante as lutas entre estes e os cristãos, comandados por D. Fernando I «O Magno» de Leão.

1148 – Por Bula de 8 de Setembro, o Papa Eugénio III confirma ao Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, a posse, entre outras terras, do território de Trancoso.

1160 – D. Afonso Henriques desbarata uma nova invasão árabe e reconquista definitivamente o castelo de Trancoso, que recebe as mais importantes obras até então, prosseguidas por D. Sancho I, depois da morte de seu pai. Pertenceu à Ordem do Templo, pelo que ficou conhecido por castelo dos Templários.

1198 – O alcaide de Trancoso toma parte no célebre combate de Ervas Tenras, contra os leoneses.

1217 – D. Afonso II confirma o foral de Trancoso, dado por D. Afonso Henriques em ano não preciso.

1270 – D. Afonso III cede por 600 libras anuais os seus direitos em Trancoso.

1282 – Casa nesta Vila o Rei D. Dinis com a princesa D. Isabel de Aragão, mais tarde, Rainha Santa, a quem o régio marido doa o senhorio desses domínios.

1297 – D. Dinís visita uma vez mais Trancoso, para assistir às obras de ampliação da muralha da vila e da reconstrução do castelo.

1306 – O mesmo soberano concede a Trancoso o direito de mudança da sua feira franca, instituída por seu pai, D. Afonso III, para a periodicidade mensal, em vez de anual e com a duração de três dias.

1364 – Os judeus de Trancoso apresentam queixa a D. Pedro I sobre as arbitrariedades cometidas contra eles pelos cavaleiros que a visitavam, aboletando-se nas suas casa sem pagar. Nesse tempo, o aluguer de casas, durante a feira, rendia tanto como no ano inteiro.

1385 – A 29 de Maio, trava-se a Batalha de S. Marcos (Trancoso), entre as forças portuguesas e castelhanas. As primeiras eram constituídas por elementos de Trancoso, Celorico da Beira, Linhares, e Ferreira de Aves, sob o comando do Alcaide Gonçalo Vasques Coutinho. A vitória coube aos nossos guerreiros e tornou-se um sério aviso a D. João I de Castela, pretendente ao trono de Portugal.

1391 – D. João I, por carta régia de 12 de Janeiro, confirma os foros, privilégios e liberdades de Trancoso.

1441 – O Regente D. Pedro encarrega D. Fernando Vasques Coutinho, seu alcaide-mor, de importantes obras no castelo de Trancoso.

1496 – Data mais provável do nascimento do profeta-sapateiro, Gonçalo Anes Bandarra, autor das famosas «Trovas», que correram o mundo.

1510 – A 1 de Junho, D. Manuel concede Foral Novo a Trancoso.

1530 – O infante D. Fernando, filho de D. João III, por casamento de D. Guiomar Coutinho, herdeira dos senhorios de Trancoso, é designado Alcaide desta Vila.

1534 – Por morte do infante, Trancoso passa para os bens da coroa.

1543 – Os judeus de Trancoso sofrem grande perseguição, depois de terem ampliado a sua comunidade, com a vinda, no ano de 1481, de numerosos refugiados de Castela, expulsos pelos reis católicos.

1546 – D. João de Mascarenhas é nomeado Alcaide de Trancoso.

1550 – Nasce em Trancoso o jesuíta João de Lucena, autor de uma obra sobre a vida de S. Francisco Xavier.

1550 – Presume-se que também tenha sido o ano de nascimento de Gonçalo Fernandes Trancoso, o célebre contista português.

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1556 – Ano provável da morte de Gonçalo Anes «Bandarra»», o famoso sapateiro-profeta, que tem o seu túmulo na Igreja de S. Pedro, desta Vila. Neste mesmo ano começa a construção da Fonte Nova, monumento de grande beleza, ainda hoje muito bem conservado.

1640 – Há na vila grandes festejos pela restauração da Independência de Portugal e, a partir de então, as gentes de Trancoso participam activamente nas lutas contra os castelhanos, que não aceitam esse facto e desencadeiam uma guerra extensa, só concluída no reinado de D. Pedro II.

1704 – Trancoso toma igualmente parte activa na guerra da sucessão e o exército do Marquês das Minas vem abastecer-se à vila.

1768 – A Inquisição proíbe as Trovas do Bandarra e manda picar a inscrição do se túmulo.

1808 – Tropas francesas, que invadiram Portugal, chegam a Trancoso, sendo expulsas mais tarde.

1810 – O General Beresford, comandante dos exércitos anglo-portugueses que combatem os invasores franceses, sob a chefia de Massena, general de Napoleão Bonaparte, estabelece um quartel general em Trancoso, cujo edifício ainda hoje existe. Aquele oficial inglês foi, depois, agraciado com o título de Conde de Trancoso.

1820 – A maioria da população de Trancoso adere à Revolução Liberal.

1838 – É extinto o Convento de Santo António, dos Frades Franciscanos.

1842 – A Câmara Municipal de Trancoso jura a Carta Constitucional.

1850 – É construído, no interior do Castelo, o Teatro de Santa Bárbara, demolido nos anos quarenta deste século.

1861 – Aparece o primeiro jornal de Trancoso – «O Magriço».

1917 – Conclusão das obras dos actuais Paços do Concelho.

1918 – A epidemia conhecida pela «pneumónica» atinge duramente Trancoso.

2004 – Em 9 de Dezembro a Vila de Trancoso é elevada à categoria de Cidade

in Trancoso Medieval

3 thoughts on “Trancoso – Terra de Templários, Terra de Profecias

    Frei Raymundi Bernardi said:
    July 19, 2007 at 5:21 pm

    Excelente artigo! Parabens!

    Luis Matos responded:
    July 19, 2007 at 6:07 pm

    Trancoso raramente é referido como local Templário. Contudo fez parte daquela onda inicial de doações que estabeleceram uma cintura militar mais recuada que a mais conhecida de Tomar. É também interessante a possível origem do topónimo Trancoso / Tarracon, que nos remete para outras semelhantes do panorama Templário sul-Europeu como Tarascon (França do Languedoc) ou Tarragona, todos topónimos ligados ao importante T (Tau) como Tomar, Toledo, etc. É ainda muito curiosa a referência a um enviado Egípcio, já que a letra T é precisamente uma herdeira no nosso alfabeto do Tau ou da cruz ansata. Finalmente, penso que Bandarra é pouco recordado nos meios Templários ou neo-Templários actuais e já era tempo de um post que referisse a sua interessante obra. Estas páginas do Templar Globe são apenas pontos de partida de pesquisa para os nossos visitantes, a maioria membro da OSMTHU. Por isso, pretendo aportar o maior número de avenidas, sendeiros e estradas que possam satisfazer a sede de conhecimento do leitor médio e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a encontrar temas que acabem por levá-lo a encontrar-se com os Templários, seja como inspiradores de certas realidades ou inspirados por elas.

    Maria do Monte said:
    August 4, 2007 at 10:06 pm

    Boa Noite,

    Encontrei hoje o vosso site, numa pesquisa sobre a Regaleira.
    O meu pai sempre disse-me que os Templários continuavam mas em segredo, o meu trisavô foi Cavaleiro da Ordem de Cristo, descendo do comendador da Ordem de Cristo, Henrique Moniz de Menezes, do 6º Grão-Mestre da Ordem de Cristo, Nuno freire de Andrade e de vários cavaleiros Templários, incluindo Robert que fugiu para a Escócia e ascendente dos Sinclair, dos quais descendo.

    Os Templários que tinha conhecimento:

    http://www.skt.org.uk/CJdeM1314/index.html

    http://www.princehenrystclair.org

    e também recebo um boletim dos Templários de Espanha.

    Saudações Fraternas

    Sobre Trancoso – Bandarra: (vou transcrever o que está escrito nesse documento)

    A algum tempo li algo muito interessante do padre António Vieira que falava do Bandarra e do Encoberto, do V Império:

    comentário de Padre António Vieira sobre as trovas de Gonçalo Annes Bandarra e da 187 à 431 a resposta de um outro Padre, anónimo, com ideias diferentes sobre o Encoberto, António Vieira apoia a tese que é D.João IV, refere-o como ressuscitado, e o outro que era D.Sebastião, que voltaria, são muito interessantes a tese de cada um e como interpretam as trovas do Bandarra.

    Vieira também escreve que D.João IV é o Infante que está nos painéis de S.Vicente e que está sepultado na Igreja de S.Vicente de Fora e que seria o Encoberto da lenda e ressuscitado de sua morte numa era posterior.
    O outro que era D.Sebastião, que seu corpo nunca foi encontrado.

    vou transcrever o texto:

    São 431 páginas, tirei alguns apontamentos:

    Carta do Padre António Vieira para o Padre André Fernandes da companhia de Jesus, confessor da Rainha Regente D.Luisa de Gusmão, e nomeado Bispo do Japão, sobre a ressurreição de el-rei D.João IV.
    Maranhão, 29 de Março de 1659

    Senhor Bispo do Japão,

    Conta-me Vossa Senhoria prodigios do mundo, e esperanças da felicidades a Portugal; e diz Vossa Senhoria, que todos se referem à vinda de el-rei D.Sebastião, em cuja dúvida, e vinda, tenho já dito a Vossa Senhoria o que sinto. Por fim me ordena Vossa Senhoria, que lhe mande alguma maior clareza, do que tantas vezes tenho repetido a Vossa Senhoria, da futura ressurreição de nosso amado el-rei D.João o quarto. (…) o Bandarra profetizou que el rei D.João IV de obras muitas; e muitas coisas, que ainda não obrou, nem pode obrar senão ressuscitando (…) Ressuscitará a el-rei D.João o quatro, e a sua ressurreição será meio mais fácil de conciliar o respeito da obediência de todos os maçoens da Europa, que o hão-de seguir, e militar debaixo de suas bandeiras nesta empresa; o que de nenhum modo fariam, sendo tão orgulhosos, e altivos, senão fossem obrigados desse sinal do Céu, entendendo todos, que não obedecem ao Rei de Portugal, senão a um capitão de Deus.

    Verrá de Lisbona
    Chiara, e ilustre persona,
    Adorná de ogni opera buona,
    Sa cui fama risona
    In tutta passe elido
    Nel mondo dá gran grido;

    Diz Salutivo, profetizando o remédio com que Deus há-de sacudir de Lisboa a Roma contra o turco (…)

    Fala pois Bandarra da ressurreição de el-rei D.João, e diz assim, verso 99

    já o tempo desejado
    he chegado,
    segundo o firmal assenta;
    já se passão os quarenta,
    que se ementa
    por hum douto (?-esta palavra não consigo perceber) já passado.
    O rey novo he acordado,
    já dá brado,
    já arrezoa o seu pregão,
    já Levi lhe dá a mão
    contra Siquem desmandado;
    e segundo tenho ouvido,
    e bem sabido,
    agora se cumprirá,
    e a desonra de Dinah
    se vingará
    como está prometido

    (…)

    já o leão he desperto
    muy alerto,
    já acordou, anda caminho,
    tirará cedo do ninho
    o porco, e he muy certo.

    (…)

    Noutro Manuscrito são umas trovas de Bandarra, que ele profetiza que seriam encontradas após 200 anos, a data são de 1527 ou 1528 e foram encontradas em 1729 a 6 de Agosto na parede da Igreja de S.Pedro da Vila de Trancoso, nas obras que foram efectuadas, engraçado que ele coloca no final das trovas, (6º sonho), “não vereis pedra sobre pedra ___ (não percebo a palavra) aqui for achado (…) e a duzentos anos (…)

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