Day: March 24, 2009

Forum.thomar.org faz visita à cidade – Parte III

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O ponto de interesse seguinte era dos fortes. Se há lugar no complexo do Convento de Cristo que tem feito correr a imaginação de esoteristas de todo o mundo, tanto como a Janela Manuelina ou a Charola, serão as adegas. Não se trata da qualidade do seu vinho, mas da ideia – consagrada em tinta por Umberto Eco no seu “Pêndulo de Foucault” – de que aquele espaço se destinava a ser usado como câmara de iniciação.

Se bem que a novela de Eco é certamente a referência mais famosa a esta possível utilização das adegas, já nos inícios dos anos 80, Manuel Joaquim Gandra – conhecido historiador que tem dedicado particular e muito útil atenção a Tomar -, considerava seriamente esta hipótese. O seu contributo para o argumento do filme “Mensagem”, realizado por Luis Vidal Lopes em 1988 foi central, tendo mesmo participado em várias das cenas, tal como na reconstituição da iniciação de um Cavaleiro de Cristo, dramatizada precisamente nas adegas.

Umberto Eco conta-nos através do personagem principal do seu livro as sensações que o invadiram o visitar o Convento de Cristo em viagem de pesquisa para a sua obra:

“Tive um sobressalto quando o nosso guia nos levou a visitar uma sala secundária, de tecto coberto em fechos de abóbada. Eram pequenas rosetas, mas algumas tinham esculpidas uma cara barbuda e vagamente caprina. O Baphomet… Descemos a uma cripta. Ao fim de sete degraus, uma pedra nua leva à abside, em que poderia aparecer um altar ou o cadeirão de um grão-mestre. Mas chega-se, passando-se por baixo de sete fechos de abóbada, todos em forma de rosa e cada um maior que o anterior, e o último, mais expandido, por cima de um poço. A cruz e a rosa, e num mosteiro templário, e numa sala certamente construída antes dos primeiros manifestos rosa-crucianos… Fiz algumas perguntas ao guia, que sorriu: «Se soubesse quantos estudiosos de ciências ocultas vêm aqui em peregrinação…  Diz-se que esta era a sala da iniciação…».” ; Umberto Eco, “O Pêndulo de Foucault”, Cap. 19

 

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Efectivamente as Cruzes de Cristo com uma Rosa mística lá estão. Claramente anteriores aos Manifestos “Fama Fraternitatis” (1614), “Confessio Fraternitatis” (1615) e “As Bodas Alquímicas de Christian Rozencreuz” (1616). E no entanto, de acordo com este último, o Mestre RC terá aprendido parte da sua ciência hermética em viagens pelas “Hispanias” (o plural é do original renascentista).

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A sala em si é muito difícil de fotografar devido à sua profundidade de campo. Não há elementos que ajudem a mostrá-la numa objectiva e imagem monodimensional. Eco engana-se em alguns aspectos da sua descrição. Contudo no geral está muito próximo e a atribuição de “sala da iniciação” sai reforçada para quem passe ali alguns momentos e se deixe “diluir” no local. Além das impressões emocionais, é hoje um facto que a sala tem dimensões demasiado grandes para uma adega que deveria abastecer no seu auge 80 monges. Nas suas proximidades há outras salas que, essas sim, mostram sinais de terem sido usadas para armazenamento de perecíveis e cubas ou barris, com acesso directo às cozinhas (que se encontram por cima destes locais). Finalmente, pela configuração do próprio Convento de Cristo e pela localização das diversas cisternas, torna-se evidente que a chamada “Adega” está rodeada de reservatórios de água, tendo mesmo uma laje que tapa um profundo poço mesmo em frente aos portões que dão acesso ao pátio traseiro (sul) do Convento.

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A visita concluíu com um jantar num Restaurante no centro histórico de Tomar. Ali o Rui apresentou um trabalho muito interessante sobre a Heresia na Pintura Portuguesa (que pensamos venha a estar disponível no BLOG de Tomar).

O Templar Globe estará atento a novas iniciativa deste grupo e fará por aqui a devida divulgação.

Fotos: LM

[continua com a publicação da reportagem saída no Jornal local “O Templário”]