Santa Maria da Feira: Viagem Medieval inicia-se no Castelo

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O centro histórico da Feira assume a metamorfose que anualmente transporta a cidade ao “mundo medievo” do início de Portugal

É hoje que Santa Maria da Feira regressa ao passado. Até ao próximo dia 10, a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria volta a catapultar o centro histórico da cidade capital do Município para as luzes da ribalta. A organização está a cargo da Câmara Municipal, em parceria com a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio (FCCR) de Santa Maria da Feira.
O início da ‘função’ está marcado para as 17:00 horas de hoje e – nada mais apropriado! – para o Castelo da Feira.

Para o fim-de-semana, e em termos de contexto histórico, os enredos das encenações vão andar em volta da extinção da Ordem dos Templários e da criação da Ordem de Cristo e do papel de Portugal nesse desenvolvimento.

Sábado, pelas 20:00 horas, decorreram Justas Apeadas na Praça Nova; a partir das 22:00, a margem esquerda do Rio Cáster será o cenário da Sexta-Feira, Treze; a Liça, nas margens do Cáster, acolherá Justas pelas 22:00 (entrada: 4 euros); e à meia-noite O Senhor da Festa estará na escadaria do Convento dos Lóios.

No sábado, às 21:30, dar-se-á a Chegada das Ordens Militares às ruas do burgo e ao Castelo. Meia hora depois, acontecerá a Chegada da Ordem dos Templários, na zona que vai das ruas do burgo às margens do Cáster. Justas Apeadas – 20:00, na Praça Nova; Justas – 21:00 e 23:00, na Liça (4 euros); e O Senhor da Festa – 00:00, na escadaria do Convento dos Lóios, completam a encenação.

Para domingo, e além das Justas e de O Senhor da Festa, o Cortejo e Instituição da Ordem de Cristo tem início marcado para as 17:00, decorrendo na Igreja da Misericórdia/Castelo. Pelas 21:30, o Jardim dos Lóios vai enquadrar Os Milagres da Rainha Santa.

A edição deste ano da Viagem traz algumas novidades, como as apostas em novos cenários e áreas temáticas. Serão os casos da Abadia, localizada no Convento dos Lóios; dos Banhos Públicos de S. Jorge, no Lago da Quinta do Castelo; do Campo do Arqueiro, nas margens do Rio Cáster; das Noites do Castelo (com excepção do dia 6); d’O Feitiço da Coruja, nas margens do Cáster; do Arraial das Ordens Militares, na Encosta do Castelo/Margens do Cáster; dos Pequenos Guerreiros, no jardim do Convento dos Lóios; e do Jardim das Rosas, também no jardim dos Lóios.

Realce-se que, nesta edição, será (re)encenado o Assalto ao Castelo, previsto para o dia 6, a partir das 22:00 horas. Assinale-se, ainda, a Doação do Castelo a D. Afonso, no dia 8, pelas 22:00, na área das ruas do burgo e do Castelo; e a Peregrinação da Rainha Santa, que acontecerá no dia final, às 17:00, na Igreja da Misericórdia/Castelo.

Referencie-se, também, a abertura de uma Loja de roupas medievais, situada na Casa do Moinho, que vende peças de vestuário cujos preços variam entre os 40 e os 60 euros. Saliente-se que se poderá manter em funcionamento para lá do dia 10 do corrente, por exemplo, como posto de turismo.
Indo aos números, registe-se as participações de cerca de 100 artesãos, 36 grupos de animação e 31 associações. O número de voluntários é de 288 e trabalham diariamente na Viagem 1.100 pessoas.

O orçamento da edição deste ano é de 650 mil euros. A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira paga 30% desse valor, mas prevê que em 2010 a iniciativa se auto-sustente na totalidade.

De forma a potenciar a atractividade do evento, estão a funcionar carreiras entre localidades vizinhas e o centro de Santa Maria da Feira. Assim, entre as 19:30 e as 00:00 horas, e pelo custo de 1 euro, a Transdev garante transporte entre Lourosa, S. João da Madeira, Vale de Cambra, Fajões, Oliveira de Azeméis e a Viagem Medieval. E 12 parques de estacionamento aguardam os visitantes.

“As pessoas já não admitiriam que não houvesse Viagem Medieval”, sublinhou o presidente da Câmara a respeito da realização de mais uma edição. E Alfredo Henriques realçou que “o retorno económico” para a cidade é “superior ao investimento camarário”.

Diga-se que se espera uma afluência, pelo menos, idêntica à de anos anteriores: 50 mil visitantes diários.
Por seu lado, Joaquim Tavares assinalou o grande envolvimento das colectividades locais. “A Viagem Medieval é o maior evento, com carácter de continuidade, organizado em Portugal pelo movimento associativo”, disse o presidente da FCCR. Realçou que “todas as recriações históricas” serão interpretadas por gente de Santa Maria da Feira.

O enredo histórico da Viagem Medieval

No reinado de D. Dinis, a Reconquista cristã estava praticamente encerrada. A presença da Ordem dos Templários ajudava à defesa do Reino, sendo utilizada como instrumento da política de consolidação nacional. Mas, acusações levantadas por Filipe, o Belo, de França contra os membros da Ordem, levaram o papa Clemente V a extingui-la e a promover um concílio na Hispânia para averiguar as responsabilidades nestes territórios.

D. Dinis não permitiu a alienação dos bens dos Templários e fez um pacto secreto com Fernando IV de Castela para a criação de uma nova ordem militar que receberia em doação aqueles bens. E o papa João XXII permitiu a instituição em Portugal da ‘Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo’, com sede em Castro Marim.

Mais tarde, na década de vinte do séc. XIV, o reino de Portugal encontrava-se em guerra civil. De um lado, os partidários de D. Dinis e, do outro, os de seu filho e herdeiro D. Afonso, que era apoiado pela nobreza senhorial.

Em 1321, quando Gonçalo Rodrigues de Macedo era alcaide do Castelo da Feira, o futuro D. Afonso IV, a caminho do Porto, decidiu tomar o Castelo. Mas, o rei avançou com as suas tropas e retomou-lhe a posse.
No final, com a intervenção da rainha D. Isabel, donatária da Terra de Santa Maria, D. Dinis concedeu o Castelo da Feira a seu filho.

in Diário de Aveiro

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