Day: April 2, 2007

EUA: Alunos luso-americanos descobrem presença portuguesa

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Uma visita de estudo vai levar em Abril mais de duas centenas de alunos de 10 escolas comunitárias portuguesas de Nova Iorque e Nova Jérsia à Nova Inglaterra para lhes mostrar alguns símbolos do pioneirismo português na descoberta desta zona.

A visita, uma co-organização de João Crisóstomo e da Escola de Língua e Cultura Portuguesa Infante D. Henrique, de Mount Vernon, Nova Iorque, terá lugar a 21 de Abril e destina-se a mostrar os alunos a Pedra da Dighton, em Massachusetts, o monumento aos Descobrimentos Portugueses em Brenton Point e a torre octogonal de Newport, no estado de Rhode Island.

A Pedra de Dighton, que se encontra hoje num pequeno museu a ela dedicado no Dighton Rock Park, na foz do rio Tauton, na cidade de Berkley, Massachusetts, tem sido ao longo do tempo motivo de fortes polémicas pelas inscrições que contém e que foram alvo de várias interpretações.

Trata-se de um bloco com cerca de 40 toneladas de peso, em forma de paralelepípedo, medindo cerca 3,5 metros de comprimento.

A pedra esteve durante anos depositada na foz do rio Taunton até ser trazida para terra e analisada por vários especialistas.

Ao longo do tempo foram então construídas algumas teorias para explicar a origem das inscrições, nomadamente que elas foram feitas pelos índios das tribos Narragansett, pelos fenícios ou pelos vikings.

Em 1918, Edmund B. Delabarre lançou a teoria que as inscrições se devem ao navegador português Miguel Corte Real, que aqui teria chegado muitos anos antes de Cristóvão Colombo.

Nos anos 50, o médico e historiador Manuel Luciano da Silva fez as suas próprias investigações e alegadamente identificou não só o nome, como as marcas dos símbolos portugueses, nomeadamente a Cruz de Cristo.

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Começou então uma campanha para colocar a pedra a salvo, num museu, o que aconteceu no início dos anos 70, com o apoio do estado de Massachusetts que expropriou o espaço no parque que hoje tem o nome da Dighton Rock (Pedra de Dighton).

A pedra está hoje dentro de um redoma de vido, num pequeno museu onde estão patentes ao público, em cartazes ilustrados, todas as teorias.

Nesta visita, os alunos visitarão ainda o monumento aos Descobrimentos portugueses em no parque estadual de Brenton Point, em Newport, no estado de Rhode island.

Este monumento, inaugurado em 1988, por iniciativa de Arthur Raposo com a colaboração do Estado português, é constituído por marcos em pedra portuguesa, dispostas em círculo, que simbolizam as viagens dos navegadores portugueses.

Está estrategicamente colocado frente ao oceano, e é visitado anualmente por milhares de turistas.

Ainda em Newport, os alunos visitarão a torre de Newport, no parque Touro, uma construção em pedra, octogonal, que faz lembrar a charola do Convento de Cristo, em Tomar.

Também aqui existem várias teorias para explicar a sua origem, entre elas a portuguesa.

Uma defende que a torre foi construída nos finais do século XVII durante a guerra entre os colonizadores britânicos e os índios locais, pretendendo ser um enorme moinho de vento.

Outra atribui a sua origem aos povos escandinavos que terão visitado esta zona nos inícios do séc. XI, construindo não só a torre de Newport, como feito as inscrições na pedra de Dighton.

Luciano da Silva, porém, defende que a torre de Newport é uma réplica da charola do convento de Cristo, em Tomar, construída à imagem das igrejas dos Templários pelos navegadores portugueses que chegaram a esta zona.

Segundo João Crisóstomo, esta visita de estudo pretende dar a conhecer aos alunos luso-descendentes um pouco do pioneirismo dos portugueses na zona da Nova Inglaterra.

«Numa altura em que o grande mestre Manoel de Oliveira realiza um filme inspirado na vida de Manuel Luciano da Silva e da sua dedicação à causa dos descobrimentos portugueses, nomeadamente defendendo a nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colombo, pensei que seria boa ideia visitar estes monumentos, que ele tanto tem divulgado», disse João Crisóstomo à Lusa.

«É uma forma dos nossos alunos terem orgulho pelo passado do povo português, que também contribuiu grandemente para o descobrimento e desenvolvimento da América, nomeadamente desta zona da Nova Inglaterra», acrescentou a mesma fonte.

A visita de estudo é patrocinada pela delegação do Banco Espírito Santo de Newark, Nova Jérsia, pela Academia do Bacalhau de Nova Iorque e pelo restaurante Bairrada, da cidade de Mineola, Nova Iorque.

Diário Digital / Lusa